Monday, October 30, 2006

Querido diário

Hoje a escolinha foi fix, estivemos a planear o trabalho de grupo, uma curta feita de planos sequência. 5 Planos, 5 pontos de vista.

Para mim os trabalhos de grupo são sempre um bocadinho difíceis, com a cabeça a fervilhar de ideias a tendência é para menosprezar as ideias dos outros. Um problema gravíssimo meu. No entanto estes trabalhos, geradores de conflitos, fazem-me bem, põem-me no meu lugar.

Já sabemos que vamos simular um assalto, mas os pormenores que enriquecem a história ainda estão por definir. A ideia era fazer qq coisa cómica, ou estranha, a reacção do resto da turma é importante para a nossa motivação.

Hoje n sei se saio, só tenho dinheiro para uma mini, axo que me vou cortar nos planos que estão combinados, é complicado fazer amigos quando estou assim. Alem disso sinto-me cansada. Gostava de ter amigos já feitos, a quem pudesse convidar pa vir cá a casa comer pizza ou ver TV. Como aqueles amigos das séries de adolescentes, tipo O.C., com banda sonora incluída.

Também para nós as palavras estão gastas, literalmente gastas. Ate as banais, como “olá” ou “tass bem”, até os sorrisos e as caretas. Está tudo gasto. Tudo menos o pacto de não nos reconhecermos, e cada vez que te encontro lembro-me dele: eu desvio o olhar, tu viras a cara e é como se nada fosse. Esta tudo bem, como sempre.
Não sei porque insisto em lembrar-me destas coisas, se calhar é porque ultimamente não paro de te encontrar, e porque isso faz com que sonhe contigo de noite, sonhos estúpidos sem significado nem ponta por onde pegar.


ctrl-alt-del
ctrl-alt-del
ctrl-alt-del
ctrl-alt-del
ctrl-alt-del
ctrl-alt-del
ctrl-alt-del
ctrl-alt-del
ctrl-alt-del
ctrl-alt-del
ctrl-alt-del

não resulta comigo 

Saturday, October 28, 2006

As palavras, das palavras, algumas, não me farto. Das escritas. Porque sim.

Friday, October 27, 2006

estou farta.
farta de computadores e de pessoas. Farta de ter de ser sempre mais qualquer coisa, farta de não saber o que é esse "qq coisa" que tenho de ser.
estou farta dos meus tenis que me custaram n sei quantos dias de trabalho (de um trabalho de que estou tambem farta), que por sua vez deram trabalho a outras pessoas que estao tao ou mais fartas que eu de trabalhar a fazer tenis pa comprarem pao.
estou farta de beber agua suja, de tomar banho em agua suja, de respirar ar sujo e de comer maças envenenadas pelo ar e pela agua de que ja falei.
estou de facto um bocado farta.
estou farta tambem de filosofias de vida, de estrelas de cinema, de estrelas de politica,. de estrelas de todas as religioes e mais alguma. farta de olhar pas estrelas do ceu e não fazer ideia do que e que significam, ou se significam alguma coisa.
os relogios, os horarios, os sacos do supermercado, os frigorificos, as tintas da parede e os pensos higienicos.
estou tao farta do alcatrao das estradas, se alguem ao menos entendesse...
estou farta de me esconder, atras da ganga e do algodao tingido, atras do messenger, atras do estatuto, atras da pasta de dentes, de musicas, de livros, de penteados e maquinas depiladoras.
estou farta de não poder fugir de nada disso, e de cada vez que tento aceitar e ser cumplice de tudo e de ser mesquinha, e de ter de conviver com pessoas ainda mais mesquinhas.
hoje, estou mesmo muito farta.



Tuesday, October 24, 2006

.








"If I had you here I'd clip your wings
Snap you up and leave you sprawling on my pin
This plan of mine is oh so lame
Can't you see the grass is greener when it rains

You left.I died
I went and you cried.
You came ,I think

But I never really know
I've served my time
I watched you climb
The wrong incline
But what do I know?

Accept it.Don't let it
Turn the screw
Accept it.Don't let it
Scream back at you."










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Thursday, October 19, 2006

Esta decidido,
A partir de hoje não vou mais precisar de ninguém.
Nem me vou importar
Em ser seja o que for para alem daquilo que sou.
A partir de hoje não me interessa mais se estou bonita ou feia ou transparente.
Não pinto mais as unhas nem arranco pelos.
A partir de hoje não quero mais comer, nem chorar, nem foder, a partir de hoje.
Acabou-se a subjectividade, a poesia,
Não quero mais saber de nada que não comece e acabe em mim.
A partir de hoje vai ser assim, já disse. Não preciso nem quero
Mais
Ninguém.
Esta decidido.

[n sei de quem e a foto]

voltou a chuva

Sunday, October 15, 2006

The Man with the Beautiful Eyes

[animaçao curta]





The Man With The Beautiful Eyes



When we were kids
there was a strange house
all the shades were
always
drawn
and we never heard voices
in there
and the yard was full of
bamboo
and we liked to play in
the bamboo
pretend we were
Tarzan
( although there was no
Jane)
and there was a
fish pond
a large one
full of the
fattest goldfish
you ever saw
and they were
tame.
They came to the
surface of the water
and took pieces of
bread
from our hands.

Our parents had
told us:
" never go near that
house"
so, of course,
we went.

We wondered if anybody
lived there.
Weeks went by and we
never saw
anybody.

Then one day
we heard
a voice
from the house
" YOU GOD DAMNED
WHORE!"

It was a mans
voice.
Then the screen
door
of the house was
flung open
and the man
walked out.

He was holding a
fifth of whiskey
in his right
hand.
He was about
30.
He had a cigar
in his
mouth,
needed a
shave.
His hair was
wild and
uncombed
and he was
barefoot.
In undershirt
and pants
but his eyes
were
bright
they BLAZED
with brightness
and he said,
"hey, little
gentleman,
having a good
time, I
hope?"

Then he gave a
little laugh
and walked
back into the
house.

We left,
went back to my
parents yard
and thought
about it.

Our parents,
we decided
had wanted us
to stay away
from there
because they
never wanted us
to see a man
like
that,
a strong natural
man
with
beautiful
eyes.

Our parents
were ashamed
that they were
not
like that
man,
thats why they
wanted us to stay
away.

But
we went back
to that house
and the bamboo
and the tame
goldfish.
We went back
many times
for many
weeks
but we never
saw
or heard
the man
again.

The shades were
down
as always
and it was
quiet.

Then one day
as we came back from
school
we saw the
house.

It had burned
down,
there was nothing
left,
just a smoldering
twisted black
foundation
and we went to
the fish pond
and there was
no water
in it
and the fat
orange goldfish
were dead
there,
drying out.

We went back to
my parents yard
and talked about
it
and decided that
our parents had
burned their
house down,
had killed
them
had killed the
goldfish
because it was
all too
beautiful,
even the bamboo
forest had
burned.

They had been
afraid of
the man with the
beautiful
eyes.

And
we were afraid
than
that
all throughout our lives
things like that
would happen,
that nobody
wanted
anybody
to be
strong and
beautiful
like that,
that
others would never
allow it,
and that
many people
would have to
die.

Saturday, October 14, 2006

You can leave me

On the corner

Where you found me

I'm not for sale anymore

Thursday, October 12, 2006

Tuesday, October 10, 2006

again fmg

DOL-U-RON Forte #8

"the essential is no longer visible" - Heiner Müller

está um espelho encostado ao tronco de uma árvore
mesmo aqui na rua
os cães olham-se e exaltam-se
rosnam
pensam que é outro a desafiar-lhes o espaço urinário
e o espelho não responde
muda imagem de cão
mas que faz o mesmos gestos de ataque
sem som
os cães ainda ficam mais zangados ao
serem ignorados pelo
cão-de-espelho
no sopé da árvore
haverá coisa dolorosa que ser-se ignorado no auge da raiva?

já caíram na armadilha três pobres canídeos
os três partiram desolados com a insignificância dos seus apelos de guerra
e sem saberem –
que era contra eles próprios que bradavam



Monday, October 09, 2006

just


[andava por ai a procurar roxos no google]

Saturday, October 07, 2006

Friday, October 06, 2006



[foto de Pedro Brazão Pires]


É muito fácil culpar-te, dizer que foste tu que me deixaste nesta apatia crónica, é muito fácil despejar nas tuas costas toda a espécie de lamúrias e chorinhos irritantes que não curam nada nem ninguém.
Mas não me posso esquecer de que prometi a mim mesma que te ia odiar, melhor, que te ia desprezar, só assim consigo não ficar obcecada com a ideia de que és tu o sinónimo de bem-estar. O resultado da promessa foi desastroso, obviamente, acabo por n saber o que penso, n quero falar de ti de qualquer maneira, nem sei porque comecei a escrever, irrito-me comigo mesma, e com a minha falta de… bem o que n me faltam são faltas.
Passeio pelas paisagens urbanas do olhares.
Quero estar em todas, numa altura em que tudo no meu mundo é novo e luminoso, n consigo esquecer a comichão que a ausência de pessoas me causa.

Monday, October 02, 2006

impossibilidades a parte

casava-me com a marguerite duras. :)