Saturday, September 30, 2006
Friday, September 29, 2006
Wednesday, September 27, 2006
Tuesday, September 26, 2006
Monday, September 25, 2006
É tudo [game over]
Silêncio, e depois.
Sou uma lasca de madeira branca.
E tu também.
De outra cor.
(...)
28 de Junho.
A palavra amor existe.
3 de Julho, 15 horas, Neauphle-le-Château.
Bem sei que tens outras ambições.
Bem sei que estás triste.
Mas tanto me faz.
Que me ames, é o mais importante.
O resto tanto me faz. Estou-me nas tintas.
Depois, na mesma tarde.
Sinto-me esmagada por existir.
Isto dá-me vontade de escrever.
Escrevi muitíssimo acerca de ti quando partiste – acerca do homem que amo.
És o autor de tudo.
Tudo o que eu fiz poderia tu ter feito.
Ouço-te dizer que renunciaste a esta frase,
àquela frase.
Silêncio, e depois.
Acaso escutas este silêncio?
Eu escuto as frases que tu disseste
em vez daquela que escrevi.
(...)
Silêncio, e depois.
Vem.
Temos que falar do nosso amor.
Vamos arranjar as palavras para isso.
Talvez não existam palavras.
(...)
Segunda-feira, 24 de Julho.
Vem amar-me.
Vem.
vem para este papel branco.
Comigo.
Dou-te a minha pele.
Vem.
Depressa.
Diz-me adeus.
É tudo.
Não sei mais nada de ti.
Parto com as algas.
Vem comigo.
(...)
Quinta-feira, 16 de Novembro.
Ao longo do mar. Ao longo de ti.
Já não sou nada. Já não sei onde estou.
Acabou.
Colunas para nos acercarmos do céu.
Vem.
(...)
Tenho o corpo todo a arder.
Mais tarde.
A perda do seu coração, causa-lhe dor?
Mais tarde.
Vem depressa ter comigo, dá-me qualquer coisa.
Sábado, 30 de Dezembro, 2h30 da noite.
Tu estás separado do reino de Duras.
Quarta-feira 3 de Janeiro de 96.
O vazio, isto é, a liberdade.
(...)
Sexta-feira 26 de Janeiro.
Durante alguns segundos senti o odor da terra.
Yann, sai desse espaço divino, que mete medo.
Por vezes tu metes medo.
Estou farta de ficar sozinha. Vou arranjar um tipo para trabalhar sobre o trabalho.
Gostava de fazer um livro acerca de mim e do que penso.
É tudo.
Fosse o que fosse a preto e branco.
Vocês são muito ocos.
Eu estive sempre nas profundezas.
29 de Janeiro.
O vazio. O vazio à minha frente.
(...)
16 de Fevereiro
É curioso como continuo a amar-te, mesmo quando não te amo.
(...)
28 de Fevereiro.
Acabou.
Tudo acabou.
É o horror.
Quinta-feira, 29 de Fevereiro, 13h.
Amo-te.
Adeus.»
Like Pierrot the Clown - [placebo]
See you right back here tomorrow for the next round
Keep this scene inside your head
As the bruises turn to yellow
The swelling goes down
And if you're ever around
In the city or the suburbs of this town
Be sure to come around
I'll be wallowing in sorrow
Wearing a frown
Like Pierrot the Clown
Saw you crashing round the bay
Never seen you act so shallow
Or look so brown
Remember all the things you'd say
How your promises rang hollow
As you threw me to the ground
And if you're ever around
In the backstreets or the alleys of this town
Be sure to come around
I'll be wallowing in pity
And wearing a frown
Like Pierrot the Clown
When I dream I dream of your lips
When I dream I dream of your kiss
When I dream I dream of your fists
Your fists... Your fists
Leave me bleeding on the bed
See you right back here tomorrow for the next round
Keep this scene inside your head
As the bruises turn to yellow
The swelling goes down
And if you're ever around
In the city or the suburbs of this town
Be sure to come around
I'll be wallowing in sorrow
And wearing a frown
Like Pierrot the Clown
Like Pierrot the Clown
Like Pierrot the Clown
Like Pierrot the Clown
Like Pierrot the Clown

O que é feito das minhas pessoas? Das pessoas que sabiam fazer-me rir, das pessoas que não se importavam de me fazer chorar?
Das pessoas que se peidavam pó isqueiro e axavam que isso era a coisa mais divertida do mundo, das pessoas que se embebedavam ate adormecerem de bruços na sanita, e o hotel Califórnia?
Que é feito de mim?
Porque é que é tão difícil fazer amigos agora? Porque é que é tão difícil falar de coisas banais, ser banal?
Gostava de encontrar o N um dia destes, ele que foi a minha grande paixão, gostava que não se tivesse desvanecido, mesmo que não correspondida, era melhor do que a quantidade absurda de paixões menores correspondidas na mesma intensidade que tem passado por mim, era melhor que este “tar-me a cagar”, que acaba por ser a minha filosofia de vida ultimamente, e que não me da nada a não ser apatia, vulgaridade.
“And if you're ever around
In the city or the suburbs of this town
Be sure to come around
I'll be wallowing in sorrow
And wearing a frown
Like Pierrot the Clown”
esta tudo muito certo.
"Este pobre homem de acção, que todas as manhãs, ao acordar, sente dentro em si acordar também o amargo cuidado do pão a adquirir, da situação social a manter, da concorrência a repelir, da «íngreme escada a trepar», poderá porventura afrontar o Sol com singela alegria? Não. Entre ele e o Sol está o negro cuidado, que lhe estende uma sombra na face, lhe mata nela, como a sombra sempre faz às flores, a flor de todo o riso. Por outro lado o homem de pensamento que constantemente, pelo fatalismo da educação científica e crítica, busca as realidades através das aparências, e que no céu só vê uma complicada combinação de gases, e que na alma só descobre uma grosseira função de órgãos, e que sabe que porção de fosfato de cal entra em toda a lágrima, e que diante de dois olhos resplandecentes de amor pensa nos dois buracos da caveira que estão por trás, e que a todo o sacrifício heróico penetra logo o motivo egoísta, e que caminha sempre à procura da lei estável e eterna, e que a cada passo perde um sonho, e que por fim não sabe para onde vai, e nem mesmo sabe quem é - não pode ser senão um triste!"
[Eça]
Sunday, September 24, 2006
mas ha tanta coisa a mudar
e ha tanta coisa que ja esta perfeita.. que tenho medo que se perca no meio das mudanças.
perdi o jeito, ou nunca o tive,
agora deixo tudo ao tempo, ele que resolva o que fazer.
ainda assim gosto de pensar Nele como o tal ilusionista
"que arranca coisas do chao, do chapeu, do coraçao..."
faz sentido..
aceito deixar cair o queixo – as membranas dos pés – o perfume das mãos
farei o contrato as
sinarei os papéis tomarei banho de ácido
quero ficar in
visível e abraçar-te j
á sem corpo para que não odeies nada em mim
– como dantes
[as duas / só as duas]
eu sei que agora já não vai ser a mesma coisa
nunca é – sei que tenho que ficar invisíve
l para poder estar ao teu lado e tocar-te – era isto que querias ?não era
foi o que me pediste dou-te agora a resposta / ?estás
contente – diz-me que sim sim sim sim sim sim sim
sinto uma imensa excitação nas veias só de
saber que voltaremos a nadar nos rios secretos
da nossa juventude – que nos voltaremos a beijar debaixo da terra
sem que ninguém perceba –
não tenho nada a perder
tu sim
por isso eu aceito tudo todo o nada que serei no futuro
?queres os meus dentes
?queres que tos guarde – só para teres uma recordação física de mim
– ?lembras-te dos meus dentes não lembras –
?há quanto tempo não nos tocamos nem nos embebemos na seiva das duas /
agora vai ser tudo possível – assim o espero – e tu estarás pr
otegida será o nosso último pacto antes do resto
Frederico Mira George, "o livro das noivas"
As noites são tão compridas, e eu admito que tenho sempre muito sono. Sempre. Mas dormir quando tenho tanto tempo livre parece-me estúpido. Ate para alguém como eu.
Mas acabo por não fazer nada de útil porque tenho sono.
Fico aqui parada, a ver uma espécie de código Morse pintado de laranja no monitor, abro as janelas, opino sobre isto e aquilo, não digo nada de jeito, mas as conversas arrastam-se assim.
Recuso-me a mudar de dia. Vou ficar no sábado, ta decidido, mesmo que mais ng fique. Fico eu. Sozinha. No sábado infinito.
Tuesday, September 19, 2006
tudo o que esta mal e não se muda
- Para quando?
- Calcetamento das cidades? [melhoramento dos transportes públicos]
- Liberalização das drogas leves? [enfrentar problemas em vez de os tapar com a peneira]
- Alimentação vegetariana? [valorização da vida e da saúde]
- Criação de espaços próprios para fumadores/ não fumadores? [respeito pelas escolhas individuais]
- Televisão/rádio de qualidade? [chega de morangos com açúcar, chega de comedias românticas, chega de black eyed peas!!!!]
Monday, September 18, 2006
Mamã, mamã
"(...)Mamã, mamã
Onde estás tu, mamã?
Nós sem ti não sabemos, mamã,
Libertar-nos do mal
A urgência de agarrar
Qualquer coisa para mostrar
Que afinal nós também temos mão na vida
Mesmo que seja à custa de a vivermos fingida
O estatuto para impressionar o mundo
Não precisa de ser mais profundo
Que o marasmo que nos atordoa
Ó canção de Lisboa (...)"
Jorge Palma
É tudo. III

3 de Janeiro, rua Saint-Benoît.
Yann. Ainda aqui estou.
Devo partir.
Já não sei onde meter-me.
Escrevo-lhe como se o chamasse.
Talvez possa visitar-me.
Sei que isso de nada servirá.
6 de Janeiro.
Yann.
Espero ver-te no fim da tarde.
Com todas as minhas ânsias.
Com todas as minhas ânsias.
10 de Fevereiro.
Uma inteligência saída de si própria.
Como se evadida.
Quando dizem a palavra escritor a Duras, isto adquire um peso duplo.
Sou escritora selvagem e inesperada.
(...)
3 de Março.
Sou eu a perseguição do vento.
(...)
Silêncio, e depois.
Amo-te demasiado.
Já não sei escrever.
O amor excessivo entre nós, até ao horror.
(...)
13 de Abril.
Escrevi durante uma vida inteira.
Como uma imbecil, fiz isso.
Também não é mau ser assim.
Nunca fui pretensiosa.
Escrever durante uma vida inteira ensina a escrever.
Não salva de nada.
(...)
Saturday, September 16, 2006
É tudo. II
Breakwater, Hudson River, Piermont, NY, 2002
Quis dizer-lhe
que o amava.
Gritá-lo.
É tudo.
(...)
Noutro dia, rua Saint-Benoît.Para Yann.
Para nada.
O céu está vazio.
Há anos que amo este homem.
Um homem a quem ainda não dei nome.
Um homem que amo.
Um homem que me abandonará.
O resto,diante, atrás de mim, antes e depois de mim, é-me indiferente.
Amo-te.
(...)
Sinto-me perdida.
Morte é equialente.
É terorífico.
Perdi a vontade de fazer esforço.
Não penso em ninguém.
O resto terminou.
Tu também.
Estou sozinha.
Silêncio, e depois.
Já não é na desventura que tu vives,
é no desespero.
(...)"
Um homem acordado, queria encontrar um homem acordado, tenho a certeza que ia ama-lo, porque mais do que um caprixo seria uma nova necessidade basica, um homem que conseguisse construir uma ponte entre mim e o mundo. Um homem acordado o suficiente para sair de dentro de si, entrar dentro de mim e tirar-me de lá.
É tudo. I
nunca se sabe, antes,
o que se escreve.
Apressa-te a pensar em mim.
Para Yann meu amante da noite
Assinado: Marguerite,
a amante deste amante adorado,
em 20 de Novembro de 1994, Paris,
Rua Saint-Benoît.
(...)
Depois, na mesma tarde.
Por vezes fico vazia durante imenso tempo.
Perco a identidade.
Ao princípio isto assusta. E depois passa por um
movimento de felicidade. E depois pára.
A felicidade, isto é, um pouco morta.
um pouco ausente do lugar onde falo.
(...)
Estou apaixonda por estas coisas que ela disse, e é como se depois, todas as palavras que eu
[eventualmente] quisesse dizer se desfizessem neste ler das palavras dela. As pausas, as omissoes, a desconexao. Nada. Hoje, como em tantos outros dias, prefiro esquecer-me de mim e mergulhar de cabeça noutras peles. Dora
Thursday, September 14, 2006
hoje de manhã
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar."
Wednesday, September 13, 2006
Tuesday, September 12, 2006
reencontros
Nothing to remember,
Nothing to forget.
And I've got nothing to regret.
But I'm all tied up on the inside,
No one knows quite what I've got,
And I know that on the outside
What I used to be
I'm not
anymore.
You know I've heard about people like me
But I never made the connection.
They walk one road to set them free
And find they've gone the wrong direction.
But there's no need for turning back
Cause all roads lead to where I stand;
And I believe I'll walk them all
No matter what I may have planned.
Can you remember who I was?
Can you still feel it?
Can you find my pain?
Can you heal it? "
axados
Começava assim
e ninguem dizia nada
para alem dos habituais comentarios ao tempo.
Os olhos iluminavam-se de sorrisos envergonhados
com os dedos humidos a escorregarem sem querer
no copo gelado deixado ali
por outros estranhos.

Começava assim
e sem se lembrarem se era ou não o melhor momento
desataram a virar paginas inteiras
de historias de sonhos reais.

Começava assim com nozinhos pequenos
ate o emaranhado de fios interligados ameaçar tornar-se inquebravel.
Tiveram de desistir
Não fosse o destino armar-se em esperto
e tirar-lhes das mãos as redeas da propria vida

Começava assim,
ja a saber que tinha de ficar a meio
para garantir que nunca ia acabar.







